segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Unifor gradua primeira cineasta surda do Ceará

Aluna do curso de Audiovisual e Novas Mídias termina graduação apresentando um videodocumentário sobre educação inclusiva para o surdo.

Yanna Luisa Timbó realizou, em seu TCC, um videodocumentário sobre o tema educação inclusiva para o surdo (Foto: Ares Soares/Unifor)Yanna Luisa Timbó realizou, em seu TCC, um
videodocumentário sobre o tema educação inclusiva
para o surdo (Foto: Ares Soares/Unifor)
No dia 3 de julho, o curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor formou a primeira cineasta surda do Estado do Ceará. Yanna Luisa Timbó realizou, em seu trabalho de conclusão de curso (TCC), um videodocumentário sobre o tema educação inclusiva para o surdo. Yanna roteirizou, dirigiu e atuou na linha de frente do videodocumentário, que tem cerca de 10 minutos e é bilíngue por ter áudio em português e tradução para libras. O fato, inédito na história do audiovisual cearense, é de grande relevância nacional.
Segundo a coordenadora do curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor, professora Ana Quezado, trata-se de uma conquista louvável da aluna, como também de todos que fazem o curso de Audiovisual e Novas Mídias da Unifor. “Hoje, no Brasil, apenas 1% dos surdos chegam ao ensino superior. E, quando chegam, muitos desistem, até porque o contexto universitário é desafiador para qualquer jovem. No caso da Yanna, houve plena integração dos estudantes, dos professores e dos funcionários da Unifor para o desempenho das atividades acadêmicas dela. É claro que as características dela como aluna também contribuíram para esse desenvolvimento, como autonomia e relações interpessoais harmoniosas”, conta. “Vencidos todos os desafios, principalmente num curso de Audiovisual, a Unifor forma a primeira cineasta surda do Ceará, o que demonstra o seu compromisso com a educação inclusiva”.
A estrutura da Unifor também foi um diferencial para o êxito da aluna. Através do Programa de Apoio Psicopedagógico (PAP), a Universidade disponibiliza um intérprete de libras para que todas as aulas sejam acompanhadas por quaisquer alunos surdos. “Essa mediação é importantíssima para que estudantes surdos não desistam dos cursos superiores. É importante lembrar que, durante os quatro anos, os docentes do curso de Audiovisual e Novas Mídias se preocuparam em fazer adaptações dos conteúdos para favorecer a aluna”, explica a coordenadora.
A difícil audição de Yanna é congênita, a superação nos desafios da vida foi diária, com a ajuda de familiares e profissionais da saúde e da educação. Bilíngue em libras e português, a aluna diz que com estudos não teve maiores problemas, mas que chegou a sofrer bullying diversas vezes. “As amizades eram poucas, pois apesar de usar o aparelho auditivo e o implante coclear, minha voz não é muito boa. Porém, os que têm uma maior sensibilidade conseguem conversar comigo”, pondera.

Sobre seu TCC, a aluna conta que a escolha do tema, educação para surdos no Ceará, foi fácil, por sua própria vivência. “Faço parte, literalmente, do projeto, por ter exposto minha vida, meus sofrimentos e agora estar aqui, realizada e vitoriosa, apesar de tudo”.
De acordo com o professor Valdo Siqueira, orientador do TCC de Yanna, o videodocumentário de Yanna busca dialogar com o indivíduo surdo, mas também com aquele que entende libras e, é claro, com todos que são ouvintes. “O trabalho de Yanna busca estabelecer diálogo com todos acerca das questões pertinentes à educação inclusiva. Mais em específico sobre a educação para surdos. No momento em que o curso Audiovisual e Novas Mídias forma sua sexta turma, torna-se surpreendente para todos nós, professores do campo cultural, a graduação de uma aluna especial: surda. Nos parece que este fato é um denotativo do alcance inclusivo que a atividade audiovisual pode ter. O campo amplia as possibilidades do indivíduo, o faz superar quaisquer limitações, até biológicas”, acredita.

Tribunal legitima apadrinhamento de crianças no CE

O programa garante o direito à convivência comunitária dos abrigados e convida a sociedade a participar

00:00 · 22.02.2016
Os adolescentes do Abrigo Recanto da Luz sonham que através do estudo poderão reconstruir a vida fora da instituição ( FOTO: FERNANDA SIEBRA )
Seja no aspecto afetivo ou financeiro, a vida de crianças e adolescentes que estão em abrigos pode ser facilitada com a ajuda de voluntários. A fim de formalizar e ampliar a atuação da sociedade junto à esta parte da população, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) instituiu o Programa de Apadrinhamento de Crianças e Adolescentes em todo o Ceará.
A medida prevê que, a partir de março de 2016, quem desejar apadrinhar uma destas crianças ou adolescentes deve se cadastrar junto ao Tribunal para legalizar a ação. A ajuda não precisa estar diretamente ligada à contribuição monetária. Divididos em três modelos, o apadrinhamento pode ser afetivo, de prestação de serviços, ou ainda financeiro.
Dentre as mais de 20 instituições participantes, cujos nomes ainda não foram todos revelados pelo TJ, está a Organização O Pequeno Nazareno. Hoje, com 30 crianças do sexo masculino, abrigadas no sítio, localizado em Maranguape, a organização trabalha com meninos que estavam em situação de rua e foram encaminhados ao local pelo Juizado de Infância.
Com isso, Flor Fontenele, uma das coordenadoras do Pequeno Nazareno, ressalta que o apadrinhamento afetivo tem importância direta para restabelecer um convívio das crianças com a sociedade: "Como trabalhamos para que nossas crianças retornem às famílias, o contato com a convivência familiar auxilia no processo educativo. Os outros adultos que participam do processo trazem a prática do convívio em sociedade".
Assim como os que já atuam de alguma forma nos abrigos, os interessados em participar do programa de apadrinhamento devem procurar o Setor de Procedimentos Administrativos do Juizado da Infância e Juventude, que ficará responsável pela gestão e execução da iniciativa.
A afirmação vem da chefe do Setor de Cadastro de Adoção do Fórum Clóvis Beviláqua, Gabriella Costa, que acrescenta como importância do projeto a ajuda na evolução e desenvolvimento dos apadrinhados.
d
Assistência
Para a coordenadora do Abrigo Recanto da Luz, que abriga 12 meninos de 12 a 15 anos, o apadrinhamento financeiro é o diferencial na vida dos acolhidos. "Eles já têm tantas perdas, então, o apadrinhamento financeiro para eles possibilita que eles estudem em boas escolas e que, com isso, ganhem novos horizontes", conta a coordenadora.
Luiz, 15, Da Silva, 13, e Fernando, 14 (nomes fictícios), são meninos que vivem no Recanto da Luz e têm nos estudos perspectivas de uma melhoria de vida. Atualmente matriculados em uma escola particular devido à colaboração financeira de pessoas jurídicas, os adolescentes reafirmam que permanecem tendo sonhos e vontades para um futuro próximo.
Histórias
"Moro aqui há dois anos. Eu sei que se eu tivesse em casa eu não estava estudando. Lá em Lavras da Mangabeira eu trabalhava em um parque. Assim que eu cheguei aqui aprendi a ler e a escrever. Depois disso, mudou tudo. Não sei ainda qual faculdade eu quero fazer. Nas horas vagas, eu gosto de jogar futebol. Só um irmão meu, às vezes, vem me visitar, mais ninguém", contou o jovem Fernando.
Já Da Silva diz que ser veterinário é a opção escolhida para seguir daqui alguns anos: "Antes de vir pra cá, eu só ia para a escola às vezes. A minha vontade é ir morar com a minha avó, em Quixadá, mas só vou fazer isso depois que eu terminar o curso em uma faculdade".
Sobre a iniciativa, o defensor público Tibério Melo, um dos apoiadores do programa, conta que a ideia teve como base o Projeto Apadrinhar, que já é realizado no Rio de Janeiro há cinco anos. No Ceará, a proposta chegou à defensoria há três anos e, desde então, foi idealizada.
"Há três anos, fomos procurados para trazer esse programa para o Ceará e demos início ao processo. Quando formatamos o projeto fomos até o Poder Judiciário e levamos adiante no Tribunal. O que pontuamos é trazer a sociedade como um todo para dentro dos abrigos e fazer com que as pessoas contribuam para a formação das crianças", prevê o defensor público.
Proteção
Gabriella salienta que o apadrinhamento não burla o Cadastro Nacional de Adoção. Assim, caso o padrinho tenha interesse na adoção de qualquer criança, é preciso procurar o Setor de Cadastro para Adoção a fim de habilitar-se e entrar na fila de pretendentes a adotar.
De acordo com a assistente social do Abrigo Tia Júlia - que também contará com o programa de apadrinhamento --, Iraneide Maria, o apadrinhamento afetivo é exclusivo para crianças acima de 7 anos e que já não tenham vínculo com a família. "Estamos numa esperança muito grande que o apadrinhamento afetivo traga pessoas interessadas em ficar ao lado de pessoas especiais. Essas crianças têm, principalmente, paralisia cerebral. Temos crianças de 3 até 27 anos nessas condições e algumas dessas já chegaram aqui bebês", reiterou a assistente social. (Colaborou Emanoela Campelo)
Como se tornar padrinho
É preciso se cadastrar no setor de Procedimentos Administrativos do Juizado da Infância e Juventude, no Fórum Clóvis Beviláqua (3278.1113)

mais informações. http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/tribunal-legitima-apadrinhamento-de-criancas-no-ce-1.1496584