O tratamento do autismo, apesar de não curar esta síndrome, pode melhorar a comunicação do autista, a concetração e diminuir os movimentos repetitivos melhorando assim a qualidade de vida do próprio autista e também da sua família.
O tratamento geralmente é feito com uma equipe composta por médico, fisioterapeuta, psicoterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo e muitas vezes deve ser feito por toda vida. Algumas estratégias que podem ser úteis para o tratamento incluem:
Remédios
Apesar de não existirem remédios específicos para tratar e curar o autismo, o médico poderá indicar medicamentos que podem combater sintomas relacionados ao autismo como agressão, hiperatividade, compulsividade e dificuldade para lidar com a frustração, como por exemplo
clozapina, risperidona e aripiprazol.
Alimentação
Alguns alimentos tendem a melhorar ou a agravar os sintomas do autismo, por isso é importante estar atento ao que a criança come. Os alimentos que não devem ser ingeridos incluem o leite e seus derivados porque contém caseína, industrializados e com corantes, devendo-se dar preferência aos alimentos orgânicos, comprados na feira, ricos em antioxidantes e ômega 3. Veja como a
alimentação pode melhorar o autismo.
Fonoaudiologia
O acompanhamento com o fonoaudiólogo é importante para melhorar a comunicação verbal do autista com o mundo. Durante as sessões são realizados diversos exercícios que podem ajudar a criança a aumentar o seu vocabulário e melhorar a entoação da voz, podendo ser realizados jogos e brincadeiras para atrair a atenção da criança.
Musicoterapia
A música ajuda o autista a entender as emoções, aumentando sua interação com o mundo à sua volta. O objetivo não é aprender a cantar ou tocar nenhum instrumento, sendo somente importante saber ouvir e se expressar através dos sons que os instrumentos podem produzir e também através de movimentos de dança, por exemplo, num ambiente leve e descontraído. Conheça outros
benefícios da musicoterapia para autistas.
Psicoterapia
A psicoterapia deve ser guiada pelo psicólogo e pode ser realizada sozinho ou em grupo, com encontros semanais. Nela pode ser utilizada a terapia comportamental, por exemplo, que pode ajudar a se vestir sozinho.
Psicomotricidade
Pode ser orientada por um fisioterapeuta especialista e durante as sessões podem ser realizados diversos jogos e brincadeiras que podem ajudar a criança a focar sua atenção em apenas uma coisa de cada vez, a amarrar os sapatos, contribuindo para um melhor controle dos movimentos, combatendo os movimentos repetitivos, que são comuns em caso de autismo.
Equoterapia
A terapia com cavalos é muito útil para melhorar a reação de endireitamento do corpo, quando a criança está em cima do animal, a coordenação motora, o controle da respiração e desenvolver a autoconfiança do autista. As sessões geralmente duram entre 30 minutos e 1 hora.
Como cuidar da criança autista em casa
Alguns cuidados importantes que se deve ter em casa, para melhorar a qualidade de vida do autista, são:
- Observar se o filho possui algum talento especial, porque muitos autistas possuem aptidão para matemática, música, desenho ou informática, por exemplo;
- Respeitar as rotinas, pois o autista não tolera bem as mudanças;
- Evitar ter móveis e objetos desnecessários em casa, para protegê-los de acidentes;
- Desenvolver bons hábitos do sono, respeitando o horário de dormir, com luzes menos intensas e refeições leves antes de ir para cama.
Uma outra dica importante é evitar locais como lanchonetes e supermercados, pois para o autista existem muitos estímulos nestes locais, que o incomodam como luzes muito fortes, auto falantes anunciando as ofertas do dia, alguém tossindo e bebês chorando, por exemplo. Com o passar o tempo, os pais vão percebendo o que o filho tolera ou não e assim que se sentirem seguros poderão levar a criança para estes locais.
O autista pode frequentar a escola como qualquer outra criança, não necessitando do ensino especial, mas isso depende do grau do autismo. No entanto, nos casos de autismo mais graves a criança pode encontrar mais dificuldade para acompanhar seus colegas de classe, gerando sintomas como ansiedade e irritabilidade, que podem comprometer o aprendizado. Por isso, alguns pais optam por matricular seus filhos na escola especial ou contratam professores para ensinar a criança em casa.
Os pais do autista devem ter, de tempos em tempos, um dia de descanso para renovar as suas forças porque somente assim poderão oferecer o melhor para os seus filhos.
https://www.tuasaude.com/sintomas-de-autismo/
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TERAPIA OCUPACIONAL
Por que a Terapia Ocupacional é importante para o Autismo?

Estima-se que 60 a 70% das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresente um distúrbio sensorial (Adamson, 2006). Estudos têm demonstrado que as pessoas com TEA são mais lentas para integrar informações sensoriais recebidas por seus sentidos, tornando a sua velocidade de processamento muito mais lenta. Isso pode de alguma forma explicar por que as crianças com TEA são frequentemente sujeitas a “colapsos” (entenda-se reações exacerbadas) decorrentes da sobrecarga sensorial.
Crianças com TEA não têm os “filtros” apropriados para descartar informações irrelevantes e isso leva a sobrecarga sensorial. Durante a aula, eles podem estar processando, por exemplo, o ruído do corredor, ao mesmo tempo que tentam lidar com as informações auditivas do professor explicando a lição e dos colegas que conversam em paralelo durante a aula. Essa sobrecarga sensorial pode se apresentar de várias maneiras, tais como comportamento desafiador, retirada e desligamento completo.
Existem, no entanto, um certo número de estratégias simples que podem ser utilizadas na sala de aula ou em casa para adicionar de forma eficaz os filtros sensoriais que muitas vezes essas crianças precisam. Os terapeutas ocupacionais são a chave para essa intervenção. Adicionando os filtros corretos e as intervenções, direcionando cada sistema sensorial, isso ajuda o sistema nervoso da criança se tornar mais organizado/regulado e, portanto, ajudando criança a ter atenção e desempenho eficazes no ambiente.
Você sabe o que é terapia ocupacional (TO)?
Os terapeutas ocupacionais trabalham para promover, manter e desenvolver as habilidades necessárias para que o cliente (neste caso, as crianças com TEA) seja funcional nos ambientes que participa. A participação ativa dessas crianças nos seus ambientes de vida promove:
- Aprendizagem
- Autoestima
- Autoconfiança
- Independência
- Interação Social
Os terapeutas ocupacionais utilizam uma abordagem holística nos seus programas de intervenção. Eles levam em conta as capacidades e necessidades físicas, sociais, emocionais, sensoriais e cognitivas.
No caso do Autismo, terapeuta ocupacional trabalha para desenvolver habilidades para a escrita, habilidades motoras finas e habilidades da vida diária. No entanto, um papel muito importante é também avaliar e intervir nos distúrbios do processamento sensorial da criança. Isto é benéfico para remover as barreiras à aprendizagem e ajudar os alunos a se tornarem mais calmos e mais concentrados.
O trabalho de TO com as crianças que têm transtorno do processamento sensorial, muitas vezes é realizado por profissionais com a formação específica em integração sensorial. A Terapia de Integração Sensorial (TIS) é baseada na suposição de que a criança pode ser “hiper estimulada” ou “hipo estimulada” pelo ambiente. Portanto, o objetivo da TIS é melhorar a capacidade do cérebro de processar informações sensoriais para que a criança funcione melhor em seus ambientes durante com a execução de suas atividades diárias.
Para essas crianças são muitas vezes prescritas uma dieta sensorial pelo terapeuta ocupacional.
Entenda o que é uma dieta sensorial..
A maioria de nós inconscientemente aprende a combinar nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato, paladar, equilíbrio, a consciência da posição do corpo no espaço – propriocepção), a fim de manejar nosso corpo da forma mais funcional possível no ambiente.
No caso da criança com TEA que apresenta disfunção na integração sensorial, cada uma terá um conjunto exclusivo de necessidades sensoriais, e essas necessidades são distintas, a depender do humor, do ambiente e da intervenção terapêutica.
A dieta sensorial é um planejamento de atividades diárias projetado de forma específica para a criança. Tem como objetivo incluir atividades sensoriais durante todo o dia da criança, a fim de melhorar o foco, a atenção e assegurar que a criança está sentindo ajustada durante todo o dia. Assim como o corpo precisa da comida correta e uniformemente espaçada ao longo do dia, o corpo precisa de atividades para manter o seu nível de excitação ideal.
Uma dieta sensorial ajuda o sistema nervoso da criança a manter-se organizado e, portanto, auxilia na atenção e desempenho da criança. Um terapeuta ocupacional qualificado pode usar suas habilidades de treinamento e avaliação avançados para desenvolver uma dieta sensorial eficaz para o a criança com TEA a implementar ao longo do dia.
Os efeitos de uma dieta sensorial podem ser imediatos e cumulativos, ajudando a reestruturar o sistema nervoso da criança ao longo do tempo, de modo que ela é mais capaz de tolerar sensações e situações distratoras e desafiadoras. Além de também ajudar na regulação do estado de alerta e no aumento da capacidade de atenção. As estratégias usadas têm impacto na diminuição da busca sensorial e nos comportamentos evitativos, auxiliando a lidar com transições sensoriais com menos stress.
Isso permite que a criança se concentre na tarefa que está realizando, no lugar de, por exemplo, ser distraída por estímulos, tais como, a sua etiqueta camisa batendo em seu pescoço ou o cheiro do creme para as mãos.
Uma pessoa com transtorno de processamento sensorial tem dificuldade para processar e agir de acordo com as informações recebidas do ambiente através dos sentidos, o que cria desafios na realização de tarefas cotidianas e pode resultar em, por exemplo, dificuldades de coordenação motora, problemas de comportamento, ansiedade, depressão, fracasso escolar , etc. Isto se o tratamento adequado não for procurado.
Na prática da Integração Sensorial, os terapeutas ocupacionais, muitas vezes, usam/orientam um circuito sensorial: uma série de atividades destinadas especificamente para despertar todos os sentidos de forma organizada. Eles são uma ótima maneira de energizar ou acalmar as crianças. O circuito inclui:
• Atividades de alerta (por exemplo, girar, saltar em uma bola de ginásio, pular, etc.)
• Atividades de organização (por exemplo, equilibrar-se sobre uma placa de oscilação, fazer malabarismos, etc.)
• Atividades calmantes (trabalho muscular intenso e profundo de pressão por exemplo, empurrar a parede) para dar uma consciência de seu corpo no espaço e aumentar a capacidade de auto-regular a entrada sensorial.
A intervenção da terapia ocupacional é comprovada na melhoria da comunicação, das habilidades de interação e nas habilidades motoras. Além de reduzir a ansiedade e aumentar as oportunidades dessas crianças para prosperar e alcançar as demandas do ambiente.
É importante dizer que os distúrbios do processamento sensorial podem existir também na ausência de um diagnóstico de TEA.
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