JUSTIFICANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS
"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o
evangelho a toda criatura." Marcos 16.15
A nossa justificação e motivação para este
ministério, deve estar pautada a Palavra de Deus, pois desejamos que as pessoas
entendam a ordem de Jesus e imitem o seu exemplo, levando a mensagem salvadora
a toda criatura, também aos surdos, para vermos a promessa de Isaías 29.18,19
sendo concretizada. Que os irmãos surdos possam proclamar que crêem em Jesus.
Dessa forma, para ajudar o surdo no relacionamento
com Deus e com a sociedade de modo integral, o amor que nos impulsiona através
de Jesus fará com que aceitemos as diferenças decorrentes da surdez,
preservando os valores culturais, sociais e lingüísticos, e principalmente,
resgatando o surdo à condição inicial para a qual o homem foi criado, a de ser
um filho de Deus.
INICIANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS
"Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições,
faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério."
II Timóteo 4.5
Diante do desejo e da missão que a igreja possui,
ao planejar iniciar o Ministério com Surdos, são necessários três passos:
1 – Conscientização da Igreja: é importante saber
que, para o surdo, a forma de buscar a Deus é peculiar. É importante que cada
membro entenda a responsabilidade de evangelização, integração e discipulado do
surdo, visto que, como todo ser humano, ele também precisa da salvação
oferecida por Jesus. A conscientização para essa responsabilidade pode ser
feita de várias formas:
a. Orar para que o Espírito Santo separe alguém
para esta obra;
b. Orientar a todos a aceitarem as limitações
mútuas na comunicação entre surdos e ouvintes;
c. Preparar informações transparentes sobre a
surdez, combatendo o preconceito;
d. Divulgar o Ministério;
e. Integrar o Ministério na vida de toda a Igreja;
f. Estar atento a todas as oportunidades de
intercâmbio para troca de experiências;
g. Incentivar os irmãos a usarem a LIBRAS,
tornando-a acessível à igreja e facilitando o convívio do surdo;
h. Pregar mensagens inspirativas ou convidar um
líder que já trabalhe na evangelização de surdos para despertar a Igreja;
i. Convidar um grupo de igrejas para visitar a
comunidade surda em escolas especiais, associações, etc.
2 – Participação do Pastor: como escolhido de Deus,
o pastor exerce grande influência sobre a igreja na sublime tarefa de expandir
seu Reino na terra.
3 – Localização de surdos na comunidade: pesquisa
sobre a realidade local
a. Procurar e localizar surdos na comunidade
(praças, bares, lanchonetes, rodoviária, etc;
b. Listar organizações, entidades, escolas,
associações, etc, que realizem trabalho com surdos;
c. Elaborar uma lista de nomes e endereços para
descobrir os membros da Igreja que conhecem algum surdo;
d. Pedir aos surdos endereços de amigos;
e. Fazer levantamento estatístico de quantos surdos
existem na comunidade;
f. Colocar anúncios na Igreja, associações e outros
locais a respeito do trabalho com surdo;
g. Cadastrar os surdos que visitam a igreja.
PREPARANDO A EQUIPE DO MINISTÉRIO COM
SURDOS
"O SENHOR aperfeiçoará o que me toca; a tua
benignidade, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas
mãos." Salmos 138.8
As pessoas do Ministério devem estar preparadas
para exercê-lo bem.
1 – Requisitos necessários
a. Chamada de Deus para o Ministério;
b. Compromisso;
c. Participante da Igreja;
2 – Seleção e preparo da equipe
- Aspectos técnicos:
·Ter facilidade para comunicar-se, tendo bom
conhecimento da língua portuguesa;
·Ter boa a comunicação com o surdo;
·Conhecer a cultura do surdo através da convivência
com ele;
·Buscar descobrir as potencialidades individuais de
cada surdo e o seu aproveitamento no Ministério;
- Aspectos emocionais:
·Ter alguém mais íntimo para dividir as ansiedades,
dúvidas e problemas;
·Buscar um contato real e efetivo com o surdo, para
compreender o seu mundo;
·Aceitar as limitações decorrentes das diferenças
lingüísticas e cultural e fraqueza do ser humano, tendo maturidade para
superá-las;
·Encarar com naturalidade as diversas investidas
que virão: pedidos de namoro, declaração de amor, apego demasiado, solicitação
constante de ajuda, críticas ao trabalho;
·Tratar o surdo com firmeza e amor, não sendo
paternalista e nem subestimando sua capacidade;
·Trabalhar suas emoções negativas, pois são
percebidas facilmente pelo surdo.
- Aspectos espirituais:
·Ter testemunho autêntico e comprovado de vida
cristã na Igreja e fora dela;
·Orar diariamente pelo Ministério, pelos líderes e
liderados, buscando sempre a orientação e a força do Espírito Santo;
·Conhecer e manusear a Bíblia com facilidade,
mantendo uma vida devocional;
·Possuir convicções doutrinárias bem fundamentadas.
d. Outros
aspectos a serem observados na interpretação:
1. Explicar ao orador que ele poderá falar em seu
ritmo normal;
2. Interpretar como se fosse o próprio orador,
dando as ênfases necessárias, repetindo, se possível, as entonações e
dramatização do pregador ( o mesmo deve ser feito com a música);
3. Ter o controle da situação todo o tempo e
mostrar segurança;
4. Manter as pernas um pouco separadas quando estiver
em pé, para ter mais firmeza, cuidando também da postura física;
5. Verificar aspecto geral: roupa, cabelo, rosto,
etc, preparando-se antes da interpretação;
6. Chegar sempre antes do início da programação, e
verificar se o local está preparado;
7. Providenciar os primeiros lugares para o grupo
de surdos e interpretes;
8. Utilizar a própria roupa como pano de fundo para
as mãos;
9. Evitar o uso de acessórios que possam causar
reflexos, pois eles atraem a atenção do surdo para o intérprete e não para a
interpretação;
10. Cuidar da aparência total. Não esquecer que o
corpo fala; ele é a voz e o maior instrumento de trabalho com o surdo. A
comunicação utilizada é gestual-visual;
11. Aquecer-se antes da interpretação, alongar
dedos, braços, coluna, pescoço, etc, para evitar desgaste das articulações,
tendões, etc;
12. Estar sempre olhando para o grupo para o qual
está interpretando, procurando não desviar o olhar (somente quando se fizer
necessário);
13. Providenciar uma estante de música para colocar
o material: Bíblia, sermão, hinos, etc. evitar púlpitos ou locais que escondam
parte do corpo, dificultando a interpretação.
ESTRUTURANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS
"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é
o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há
diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos."
I Coríntios 12.4-6
A estrutura do Ministério com Surdos deve ser
organizada de maneira flexível para atender as necessidades individuais de cada
surdo visando ao seu crescimento espiritual, social e à unidade do corpo de
Cristo.
ORGANIZANDO O MINISTÉRIO
1. Evangelização do surdo: a evangelização é
fundamental para o crescimento do Ministério;
2. Discipulado do surdo: logo na chegada do surdo à
Igreja, cabe aos componentes da equipe integrá-lo, incentivando sua
participação nas atividades;
3. Educação Cristã do surdo: através da Escola
Dominical, os surdos aprenderão as lições bíblicas que serão aplicadas em sua
vida cristã;
4. Atendimento à família do surdo: promover
encontros individuais ou em grupo com objetivo de ajudar a família a superar as
frustrações, atuar na valorização da comunicação entre os membros e integrar a
família na Igreja.
5. Alcançando novos surdos: a equipe deve está
atenta às atividades sociais da comunidade surda local, para que na haja
concorrência ou disputas dificultando o processo de evangelização. Ao
contrário, deve-se buscar um relacionamento com as associações de surdos
apoiando-as em suas atividades quando solicitado, estreitando um relacionamento
amigável, visando levar a mensagem de Cristo.
Adaptado do Livro O CLAMOR DO SILÊNCIO – JUNTA DE
MISSÕES NACIONAIS
Ivan Machado
Coordenador do Dep. Surdos Videira
