quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


JUSTIFICANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." Marcos 16.15

A nossa justificação e motivação para este ministério, deve estar pautada a Palavra de Deus, pois desejamos que as pessoas entendam a ordem de Jesus e imitem o seu exemplo, levando a mensagem salvadora a toda criatura, também aos surdos, para vermos a promessa de Isaías 29.18,19 sendo concretizada. Que os irmãos surdos possam proclamar que crêem em Jesus.

Dessa forma, para ajudar o surdo no relacionamento com Deus e com a sociedade de modo integral, o amor que nos impulsiona através de Jesus fará com que aceitemos as diferenças decorrentes da surdez, preservando os valores culturais, sociais e lingüísticos, e principalmente, resgatando o surdo à condição inicial para a qual o homem foi criado, a de ser um filho de Deus.

INICIANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS

"Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério."

II Timóteo 4.5

Diante do desejo e da missão que a igreja possui, ao planejar iniciar o Ministério com Surdos, são necessários três passos:

1 – Conscientização da Igreja: é importante saber que, para o surdo, a forma de buscar a Deus é peculiar. É importante que cada membro entenda a responsabilidade de evangelização, integração e discipulado do surdo, visto que, como todo ser humano, ele também precisa da salvação oferecida por Jesus. A conscientização para essa responsabilidade pode ser feita de várias formas:

a. Orar para que o Espírito Santo separe alguém para esta obra;

b. Orientar a todos a aceitarem as limitações mútuas na comunicação entre surdos e ouvintes;

c. Preparar informações transparentes sobre a surdez, combatendo o preconceito;

d. Divulgar o Ministério;

e. Integrar o Ministério na vida de toda a Igreja;

f. Estar atento a todas as oportunidades de intercâmbio para troca de experiências;

g. Incentivar os irmãos a usarem a LIBRAS, tornando-a acessível à igreja e facilitando o convívio do surdo;

h. Pregar mensagens inspirativas ou convidar um líder que já trabalhe na evangelização de surdos para despertar a Igreja;

i. Convidar um grupo de igrejas para visitar a comunidade surda em escolas especiais, associações, etc.

2 – Participação do Pastor: como escolhido de Deus, o pastor exerce grande influência sobre a igreja na sublime tarefa de expandir seu Reino na terra.

3 – Localização de surdos na comunidade: pesquisa sobre a realidade local

a. Procurar e localizar surdos na comunidade (praças, bares, lanchonetes, rodoviária, etc;

b. Listar organizações, entidades, escolas, associações, etc, que realizem trabalho com surdos;

c. Elaborar uma lista de nomes e endereços para descobrir os membros da Igreja que conhecem algum surdo;

d. Pedir aos surdos endereços de amigos;

e. Fazer levantamento estatístico de quantos surdos existem na comunidade;

f. Colocar anúncios na Igreja, associações e outros locais a respeito do trabalho com surdo;

g. Cadastrar os surdos que visitam a igreja.

PREPARANDO A EQUIPE DO MINISTÉRIO COM SURDOS

"O SENHOR aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos." Salmos 138.8

As pessoas do Ministério devem estar preparadas para exercê-lo bem.

1 – Requisitos necessários

a. Chamada de Deus para o Ministério;

b. Compromisso;

c. Participante da Igreja;

2 – Seleção e preparo da equipe

  1. Aspectos técnicos:

·Ter facilidade para comunicar-se, tendo bom conhecimento da língua portuguesa;

·Ter boa a comunicação com o surdo;

·Conhecer a cultura do surdo através da convivência com ele;

·Buscar descobrir as potencialidades individuais de cada surdo e o seu aproveitamento no Ministério;

  1. Aspectos emocionais:

·Ter alguém mais íntimo para dividir as ansiedades, dúvidas e problemas;

·Buscar um contato real e efetivo com o surdo, para compreender o seu mundo;

·Aceitar as limitações decorrentes das diferenças lingüísticas e cultural e fraqueza do ser humano, tendo maturidade para superá-las;

·Encarar com naturalidade as diversas investidas que virão: pedidos de namoro, declaração de amor, apego demasiado, solicitação constante de ajuda, críticas ao trabalho;

·Tratar o surdo com firmeza e amor, não sendo paternalista e nem subestimando sua capacidade;

·Trabalhar suas emoções negativas, pois são percebidas facilmente pelo surdo.

  1. Aspectos espirituais:

·Ter testemunho autêntico e comprovado de vida cristã na Igreja e fora dela;

·Orar diariamente pelo Ministério, pelos líderes e liderados, buscando sempre a orientação e a força do Espírito Santo;

·Conhecer e manusear a Bíblia com facilidade, mantendo uma vida devocional;

·Possuir convicções doutrinárias bem fundamentadas.

    d. Outros aspectos a serem observados na interpretação:

1. Explicar ao orador que ele poderá falar em seu ritmo normal;

2. Interpretar como se fosse o próprio orador, dando as ênfases necessárias, repetindo, se possível, as entonações e dramatização do pregador ( o mesmo deve ser feito com a música);

3. Ter o controle da situação todo o tempo e mostrar segurança;

4. Manter as pernas um pouco separadas quando estiver em pé, para ter mais firmeza, cuidando também da postura física;

5. Verificar aspecto geral: roupa, cabelo, rosto, etc, preparando-se antes da interpretação;

6. Chegar sempre antes do início da programação, e verificar se o local está preparado;

7. Providenciar os primeiros lugares para o grupo de surdos e interpretes;

8. Utilizar a própria roupa como pano de fundo para as mãos;

9. Evitar o uso de acessórios que possam causar reflexos, pois eles atraem a atenção do surdo para o intérprete e não para a interpretação;

10. Cuidar da aparência total. Não esquecer que o corpo fala; ele é a voz e o maior instrumento de trabalho com o surdo. A comunicação utilizada é gestual-visual;

11. Aquecer-se antes da interpretação, alongar dedos, braços, coluna, pescoço, etc, para evitar desgaste das articulações, tendões, etc;

12. Estar sempre olhando para o grupo para o qual está interpretando, procurando não desviar o olhar (somente quando se fizer necessário);

13. Providenciar uma estante de música para colocar o material: Bíblia, sermão, hinos, etc. evitar púlpitos ou locais que escondam parte do corpo, dificultando a interpretação.


ESTRUTURANDO O MINISTÉRIO COM SURDOS

"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos."

I Coríntios 12.4-6

A estrutura do Ministério com Surdos deve ser organizada de maneira flexível para atender as necessidades individuais de cada surdo visando ao seu crescimento espiritual, social e à unidade do corpo de Cristo.

ORGANIZANDO O MINISTÉRIO

1. Evangelização do surdo: a evangelização é fundamental para o crescimento do Ministério;

2. Discipulado do surdo: logo na chegada do surdo à Igreja, cabe aos componentes da equipe integrá-lo, incentivando sua participação nas atividades;

3. Educação Cristã do surdo: através da Escola Dominical, os surdos aprenderão as lições bíblicas que serão aplicadas em sua vida cristã;

4. Atendimento à família do surdo: promover encontros individuais ou em grupo com objetivo de ajudar a família a superar as frustrações, atuar na valorização da comunicação entre os membros e integrar a família na Igreja.

5. Alcançando novos surdos: a equipe deve está atenta às atividades sociais da comunidade surda local, para que na haja concorrência ou disputas dificultando o processo de evangelização. Ao contrário, deve-se buscar um relacionamento com as associações de surdos apoiando-as em suas atividades quando solicitado, estreitando um relacionamento amigável, visando levar a mensagem de Cristo.

Adaptado do Livro O CLAMOR DO SILÊNCIO – JUNTA DE MISSÕES NACIONAIS

Ivan Machado
Coordenador do Dep. Surdos Videira


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