domingo, 31 de julho de 2016

Sentidos da Vida - Cegos e Surdos vivenciando Fortaleza

Sentidos da Vida: cegos e surdos vivenciando Fortaleza


A reportagem “Sentidos da vida” também é uma proposta a – de olhos fechados ou ouvidos cerrados – vivenciar a urbe e os processos sociais do cotidiano, buscando aguçar uns e outros sentidos do corpo humano e experimentar as sensações que têm cegos ou surdos ao atravessarem os tantos caminhos ou descaminhos da cidade.Texto: Dahiana Araújo
SILÊNCIO E ESCUROS DA CIDADE
Este texto é um convite: feche os olhos ou tape os ouvidos e saia por aí. Teste, por instantes, vivenciar Fortaleza sem usar um de seus cinco sentidos – audição, visão, olfato, tato ou até paladar. Porque a Capital cearense, com uma população de 8.169 cegos ou 4.970 surdos, é uma espécie de convite a infinitos, de ruas, bares, prédios, lares, mares. De pessoas...

Em Fortaleza vivem 13.139 deficientes visuais e auditivos
Fonte: Censo (2010).

Deficientes Visuais
Não enxergam de forma alguma

Deficiente Auditivos
Não ouvem de forma alguma

Fortaleza, 9 de julho de 1980. O papa João Paulo II desembarcava na Base Aérea da capital cearense. Tumulto, choro, gritos de alegria, emoção, fé e uma vontade imensa de chegar perto ou, pelo menos, ver de longe o pontífice. Deu certo. Contudo, foi essa a última vez que Marta Maria Santiago Moreira, hoje com 55 anos de idade, enxergou. Agora, ela admite: vê com os dedos e os ouvidos e caminha pela cidade tendo a sensação de estar em uma espécie de gangorra, no sobe e desce diário das calçadas da Aldeota.

Se o barulho é o guia diário de Marta, o silêncio é o companheiro de Carlos Henrique Aguiar, 41 anos, o Cacá, nos mares da cidade ou nas ciclovias e ciclofaixas de avenidas como a Santos Dumont. Também praticante de kitesurf, há 15 anos, Cacá encontra nas águas do mar e nas pedaladas a caminho do trabalho a mesma impressão: “Dá uma sensação de liberdade”.
Os dois, Marta e Cacá, convivem constantemente com a ausência de um dos sentidos: a visão ou audição. Como eles, milhares de pessoas em Fortaleza, que transitam entre ruas e residências tendo como trajetos rotas escuras e sem sons, mas que vão além desses limites: tornam-se caminhos guiados por cheiros, buzinas, pedregulhos, muros e músicas. Ao todo, segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem uma população de 8.169 pessoas cegas e 4.970 surdas, que sentem as faltas e completudes da urbe aguçando sentidos diversos e para além do corpo humano, sentidos da vida.
E essa espécie de diálogo com o mar é a preferência recorrente de Cacá, que já nasceu surdo. “Eu pratico kitesurf há 15 anos e não preciso de ajuda especial para entrar no mar. A gente anda em grupo por causa da segurança. Em Fortaleza, o velejo aos domingos é proibido, e está certo, porque já aconteceram alguns acidentes”, revela, ao admitir também a preferência por locais com menos gente, mais tranquilos.
“Ando de bicicleta porque acho mais rápido, o custo é menor, tem o preço da gasolina. Você chega antes nos locais por causa dos engarrafamentos. E eu não tenho vergonha. Sábado e domingo ando de carro, porém prefiro ir trabalhar de bicicleta. Se alguém buzina, sinto a vibração, mas não sei de onde vem."Carlos Henrique, 41 anos
Sua rota segue adiante, sobre rodas da bicicleta que usa para fugir do caos e da lentidão do trânsito. “Saio de casa às 5h30 para o trabalho. Ando de bicicleta porque acho mais rápido, o custo é menor, tem o preço da gasolina. Você chega antes nos locais por causa dos engarrafamentos. E eu não tenho vergonha. Sábado e domingo ando de carro, porém prefiro ir trabalhar de bicicleta. Se alguém buzina, sinto a vibração, mas não sei de onde vem”, explica. Ele cobra de condutores de veículos mais respeito com ciclistas, principalmente motoristas de ônibus e caminhões. “Eu não tenho na bicicleta nada que identifique que eu sou surdo”.
Em um cenário em que barulhos de buzinas e obras são corriqueiros, Marta ressalta a eficiência de sua audição, fortalecida desde que começou a perder a visão, um processo iniciado aos 12 anos de idade. “A minha audição é muito perigosa”, diz ela, aos risos. Por conta disso, prefere realizar à noite os trabalhos de decupagem de pregações de eventos, um serviço do ministério do qual faz parte na Comunidade Católica Shalom.
Formada em Pedagogia, na Universidade Vale do Acaraú (UVA), onde assistiu às aulas presenciais, Marta só sai de casa acompanhada, e admite não se ausentar muito do seu reduto residencial. Todavia, entre as poucas palavras de lamento sobre a Capital, ela reclama da má estrutura de espaços para pedestres. “Nesse meu reduto, onde ando aqui, não tem acessbilidade. As calçadas são péssimas, a gente tem que ir pelo canto da rua (José Lourenço)”.
Entre vivências diárias de dilemas e sorrisos, eles esbarram em limites estruturais e sociais, comuns a todas as cidades do País, como a falta de pessoas aptas a comunicarem-se por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Amenizar esses percalços é papel de todos: família, sociedade e poder público. Diante de um cenário ainda precário, nasceu a Associação Cearense dos Surdos (Asce), em 1977, empenhada em fomentar a interação entre as pessoas surdas. A finalidade era que, em vez de essas pessoas ficarem dentro de casa se comunicando por meio de gestos incorretos, pudessem manter laços de convivência quando a Libras ainda nem era difundida no País. Hoje, com cerca de 67 sócios, o espaço já não é a opção da maior parte da comunidade surda da cidade, porém ainda tem papel relevante na formação de surdos, intérpretes e na manutenção das peculiaridades da comunidade surda.

Reportagem completa:
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/online/sentidos-da-vida-cegos-e-surdos-vivenciando-fortaleza-1.1591054

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Jovem surdo busca junto à Anac o direito de pilotar aeronaves no Brasil - Deficiente Ciente

Jovem surdo busca junto à Anac o direito de pilotar aeronaves no Brasil - Deficiente Ciente: João Paulo Marinho, 28, foi certificado em 2013 como piloto privado. Ele tenta mudar a legislação nacional incluindo o Padrão Surdo da Aviação. Credenciado em 2013 como o primeiro piloto surdo do Brasil, segundo a escola de Aviação Civil NAV Treinamentos, o jovem alagoano João Paulo Marinho dos Santos, 28, que nasceu com perda da …

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dever de pagar dúvidas ou perdoar


Pr. Ivan Machado

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